História da tecnologia flex no Brasil

Da crise do petróleo dos anos 1970 ao carro que aceita qualquer mistura de gasolina e etanol.

O carro flex que você talvez dirija hoje é resultado de quase cinco décadas de história brasileira — uma história que começa numa crise internacional de petróleo, passa por carros movidos só a álcool, quase desaparece nos anos 1990, e só se resolve com uma tecnologia desenvolvida silenciosamente ao longo de uma década. Para entender como o motor flex funciona tecnicamente, veja Como funciona o motor flex; este artigo conta como se chegou até ele.

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1975: a crise do petróleo e o Proálcool

Em novembro de 1975, o governo federal criou o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), uma resposta direta à crise internacional do petróleo do início da década. O objetivo era reduzir a dependência do Brasil em relação ao petróleo importado, usando a cana-de-açúcar — já abundante no país — como matéria-prima para produzir etanol combustível.

1979: o primeiro carro a álcool em série do mundo

Em 1979, a Fiat lançou no Brasil o primeiro carro do mundo produzido em série movido só a álcool: o Fiat 147, apelidado popularmente de "Cachacinha" por causa do cheiro característico do escapamento. O lançamento marcou o início da fase comercial do Proálcool e um passo importante para a engenharia automotiva brasileira.

Anos 1980: o auge, e depois a crise de abastecimento

Entre 1983 e 1988, mais de 90% dos carros novos vendidos no Brasil eram movidos só a álcool — o auge do programa. Mas, ao longo dos anos 1990, a combinação de queda no preço internacional do petróleo com problemas de oferta de etanol tornou os carros só a álcool cada vez menos atrativos, e as vendas despencaram.

Anos 1990: o desenvolvimento silencioso da tecnologia flex

Foi essa crise que motivou engenheiros da Bosch e da Magneti Marelli a desenvolverem uma tecnologia que resolvesse o problema pela raiz: um motor que aceitasse tanto álcool quanto gasolina, eliminando o risco de depender de um único combustível. A tecnologia foi apresentada às montadoras em 1998, mas levou ainda mais alguns anos até ser adotada comercialmente.

2003: o lançamento que mudou o mercado

Em março de 2003, a Volkswagen lançou o Gol 1.6 Total Flex, o primeiro carro flex produzido em escala comercial no Brasil — e no mundo. O sucesso foi rápido: em poucos anos, a tecnologia se espalhou para praticamente todos os fabricantes que vendiam carros no país.

De 2003 até hoje

A adoção foi tão rápida que, já em 2009, carros flex representavam a grande maioria dos carros novos vendidos no Brasil. De lá para cá, a frota de veículos flex no país já ultrapassou a marca de dezenas de milhões de unidades, consolidando o Brasil como o único mercado do mundo com essa escala de adoção da tecnologia — resultado direto da infraestrutura de produção de etanol construída desde o Proálcool, décadas antes do primeiro carro flex existir.

Décadas de história, uma decisão simples

Depois de todo esse histórico, a pergunta que resta é sempre a mesma: gasolina ou etanol compensa mais no seu carro, com os preços de hoje?

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Perguntas frequentes

O carro flex foi inventado no Brasil?

A tecnologia foi desenvolvida no Brasil, por engenheiros da Bosch e da Magneti Marelli, especificamente para resolver o problema de abastecimento que os carros movidos só a álcool enfrentavam.

Por que os carros só a álcool quase desapareceram nos anos 1990?

Uma combinação de queda no preço internacional do petróleo (tornando a gasolina mais competitiva) e problemas de oferta de etanol reduziu drasticamente a demanda por carros movidos só a álcool.

Por que a tecnologia flex demorou tanto para ser lançada depois de desenvolvida?

A tecnologia foi apresentada às montadoras no fim dos anos 1990, mas só foi adotada comercialmente em 2003 — o intervalo reflete o tempo necessário para desenvolvimento, testes e decisão de investimento das fabricantes.

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Fontes