Resposta curta: No Brasil, quase todo etanol vem da cana-de-açúcar. É o mais eficiente do mundo. O etanol americano, de milho, tem rendimento muito menor.
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O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo e o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar. Cerca de 99% do etanol hidratado vendido nos postos brasileiros é produzido a partir de cana-de-açúcar, segundo dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
O processo é relativamente simples: a cana-de-açúcar é moída para extrair o caldo, que fermenta naturalmente com leveduras. O produto é destilado para separar o álcool etílico. A maior parte do etanol brasileiro vem das usinas de açúcar, que produzem os dois produtos no mesmo processo.
O Brasil também é um dos poucos países que produz etanol de segunda geração (2G), a partir do bagaço da cana. Essa tecnologia, ainda em expansão, utiliza os resíduos da cana para produzir mais etanol sem aumentar a área plantada.
Etanol americano: milho
Nos Estados Unidos, o etanol é produzido majoritariamente a partir de milho (corn ethanol). Cerca de 90% do etanol americano vem do milho, segundo o DOE (U.S. Department of Energy).
O processo envolve moer o milho, fermentar o amido com enzimas e leveduras, e destilar. É um processo que consome mais energia e mais insumos do que a produção a partir de cana.
Existem diferenças importantes entre os dois etanols, mesmo quimicamente ambos sendo álcool etílico (C₂H₅OH). A origem da matéria-prima afeta diretamente a eficiência e o impacto ambiental da produção.
Balanço energético: cana vs milho
O balanço energético é a relação entre a energia produzida e a energia consumida na fabricação do etanol. É aqui que o etanol brasileiro de cana se destaca no mundo:
- Etanol de cana (Brasil): gera aproximadamente 8 unidades de energia para cada 1 unidade gasta na produção.
- Etanol de milho (EUA): gera aproximadamente 1,3 unidades de energia para cada 1 unidade gasta na produção.
Isso significa que o etanol brasileiro é mais de 6 vezes mais eficiente do que o americano em termos de balanço energético, segundo dados do Pesquisador Michael Wang, do Argonne National Laboratory dos EUA.
Essa diferença se explica porque a cana-de-açúcar é uma planta muito mais eficiente em converter luz solar em energia química, e porque o bagaço da cana é usado como combustível nas usinas, reduzindo a necessidade de energia externa.
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Além do balanço energético, o etanol de cana brasileiro apresenta outras vantagens ambientais em relação ao de milho:
- Menor uso de terra: a cana produz mais etanol por hectare que o milho.
- Menor uso de água: o processo de produção consome menos água por litro de etanol.
- Menor emissão de gases de efeito estufa: estudos mostram que o etanol de cana reduz em até 90% as emissões de CO₂ comparado à gasolina, enquanto o de milho reduz apenas 20 a 30%.
- Uso do bagaço: o resíduo da cana é usado como biomassa para gerar energia nas usinas.
O etanol brasileiro é considerado pela Agência Internacional de Energia (IEA) como um dos biocombustíveis mais eficientes do mundo. O Brasil também é pioneiro no uso de etanol como combustível veicular desde a criação do Programa Álcool, em 1975.